A deceção do Jamor e de uma época sem títulos
Há algumas semanas escrevi que a temporada do Sporting deveria ser dissecada no tempo certo, quando terminasse a época desportiva, após a final da Taça de Portugal no Jamor. Esse tempo para o balanço desportivo, sem antecipações, chegou agora da forma mais dura, inusitada e dolorosa para todos os sportinguistas.
A derrota diante do Torreense permitiu o feito inédito de uma equipa da Liga 2 conquistar uma Taça de Portugal pela primeira vez. Tal nunca tinha acontecido. E o insucesso diante da equipa de Torres Vedras não foi somente o de perder uma final, foi a última oportunidade para salvar uma época sem títulos, confirmando-se os sinais de alerta bem notórios dos últimos dois meses de competição.
A dimensão do falhanço não deve ser escamoteada com justificações espúrias, considerando que, uma derrota numa final, com todo o respeito, contra uma equipa do segundo escalão, possa ser uma coisa normal, ou relativizada e embrulhada num futebolês de lugares-comuns sobre os imponderáveis do futebol, em sentenças como «é o futebol».
Depois do sonho do tricampeonato, depois da ambição legítima de confirmar uma nova hegemonia interna, depois de uma campanha na Champions que chegou a alimentar um sonho de dimensão europeia, sobra apenas o segundo lugar no campeonato. Um segundo lugar com importância objetiva pelo acesso aos milhões da Liga dos Campeões, com o inerente impacto no orçamento para a construção do plantel e a capacidade de atrair o talento, mas que, na realidade crua e dura, não confere qualquer troféu que acrescente ao palmarés do clube, pelo que pouco ficará para recordar desta temporada desportiva.
E convenhamos, sendo intelectualmente honestos, mesmo o objetivo do segundo lugar foi só atingido muito mais por muito demérito do Benfica nos últimos jogos, em particular contra o Famalicão e o SC Braga, do que propriamente pela competência e afirmação do Sporting na reta........
