O poder da escassez ou como o dinheiro não compra títulos no futebol português
Após o fecho do mercado de direitos desportivos talvez seja o momento de uma abordagem macro ao uso dos recursos económicos dos três grandes nacionais nas passadas seis temporadas. Esta análise desmonta uma perceção recorrente: a de que o sucesso depende, acima de tudo, do tamanho do orçamento. Entre 2020/21 e 2025/26, Sporting, Benfica e Porto gastaram de forma muito diferente, investiram em jogadores com estratégias opostas e enfrentaram contextos financeiros desiguais — mas os resultados competitivos não seguiram uma lógica linear. Em vários momentos, a escassez económica funcionou como vantagem, o coletivo superou o individual e a formação tornou-se o ativo mais rentável do futebol nacional.
Quando a escassez se transforma em força
A falta de recursos económicos apesar de ser um obstáculo é também um filtro. Obriga a decidir melhor, a evitar contratações supérfluas, a apostar em jogadores que encaixam no modelo de jogo e a procurar talento onde outros não procuram.
Entre 2020/21 e 2024/25, Sporting, Porto e Benfica viveram ciclos financeiros muito distintos. O Benfica liderou no somatório dos gastos operacionais, ultrapassando 1,029 mil milhões de euros no período. O FC Porto somou cerca de 923M€, enquanto o Sporting registou o valor mais baixo de aproximadamente 797M€. No investimento em contratações o Benfica investiu 562 M€, Sporting 376 M€ e Porto........
