Lembrar Eriksson em tempo de Marco Silva
Tomando por base declarações de Marco Silva quanto à identidade que pretendia para o ‘seu’ Benfica - de matriz dominadora, de que a exibição em Moreira de Cónegos foi bom exemplo - Nuno Paralvas assinou, em A Bola, um excelente exercício jornalístico, onde fundamentou, com factos, a materialização das ideias do treinador encarnado.
Os grandes momentos do futebol do Benfica foram escritos com futebol de rosto atacante, o mais difícil de aplicar, por só ser eficaz se não se perder o sentido defensivo, já que se trata de um jogo que, na génese, obriga a que coabitem a vontade de marcar e a necessidade de não sofrer, e que traz associada a suprema vantagem de galvanizar os adeptos, ativando o décimo segundo jogador.
A primeira vez que joguei na Luz para o Campeonato Nacional foi pelo Montijo. Ao intervalo, o resultado estava 1-1. No segundo tempo, no primeiro pontapé de canto favorável aos donos da casa, o Nené aproximou-se de mim e disse-me, com aquela voz inconfundível, de falsete, em tom de ameaça: «um quarto de hora à Benfica.» Quinze minutos depois, já com 4-1 no marcador, percebi, finalmente, o recado. Era o Benfica a ser Benfica.
Mas jogar ao ataque, coloquemos o assunto assim para simplificar, tem mais que se lhe diga do que meter a bola na frente, alocar à fórmula muitos jogadores, e esmagar o adversário.
De há sensivelmente 50 anos a esta parte, desde que os belgas se tornaram peritos em colocar os adversários em fora de jogo com defesas que chegavam a estar subidas 45 metros relativamente à linha final, manter as equipas juntas - ou seja, com 25 a 30 metros entre defesas e atacantes - passou a ser um ‘must’ para os emblemas de ‘top’, que assim foram encontrando tempo para ganharem o espaço de........
