Bússola da nossa vida
Existem várias formas de nos relembrarmos de um ano em específico. De como era a nossa vida, onde estávamos, que cargo ocupávamos, se já tínhamos saído de casa ou apenas de um dia memorável. A minha chama-se futebol. É um retrato fiel do meu crescimento, de todas as fases de vida e, invariavelmente, a memória (seletiva ou não) da minha felicidade está diretamente associada a um resultado desportivo.
O Mundial é o expoente máximo desta realidade. A Copa do Mundo, como dizem os brasileiros, trilha a nossa vida de forma espontânea, funcionando como uma chamada de aviso à navegação de quatro em quatro anos. Obriga-nos a refletir sobre a nossa própria evolução, enquanto nos debruçamos em discussões quase filosóficas sobre as mudanças do jogo e as suas implicações. Todos os Mundiais trazem novidades que assustam e trazem ao de cima todos os impulsos de velhos do Restelo existentes no nosso corpo.
Temos aversão em tocar no que para nós é sagrado. Não é a mudança dentro do relvado que nos preocupa, mas sim a nossa conceção do desporto que nos apaixonou no Mundial exatamente anterior.
É a competição da nostalgia, porque não há ninguém que não se recorde do seu primeiro Campeonato do Mundo. É uma marca que fica e que podemos repetir em loop sem necessidade de recorrer à internet. No meu caso, tenho gravado na cabeça a imagem de Zidane a cabecear violentamente Materazzi numa tarde em Berlim, onde ainda não sabia o que era a Alemanha, mas já sabia o que era o desporto-rei.
Este fenómeno que........
