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Álcool nos estádios: o tabu português que dá milhões na Europa desenvolvida

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10.02.2026

Em Portugal, o consumo de álcool nos estádios de futebol continua a ser tratado como um problema, e não como uma oportuna realidade a gerir. A legislação mantém a proibição, assente numa lógica preventiva herdada de décadas passadas, em que a violência no desporto era combatida sobretudo pela via da interdição. O contraste com vários países europeus, referência de desenvolvimento social e desportivo, é evidente — e levanta uma questão legítima: será que Portugal está isolado numa solução que já não reflete a realidade social, desportiva e económica atual?

Consideremos alguns exemplos.

Em Inglaterra, a abordagem é mais específica e sofisticada do que muitas vezes se reconhece. O consumo de álcool nas bancadas continua proibido, uma herança direta do combate ao hooliganismo dos anos 1980. No entanto, a venda e o consumo de álcool dentro dos estádios são permitidos em zonas interiores e comuns, fora da visão direta do relvado. O modelo inglês não assenta numa demonização do álcool, mas numa separação clara entre consumo e espaço das bancadas. Mesmo este sistema, criado para um contexto muito particular, começa hoje a ser reavaliado, com testes a acontecerem com sucesso no futebol feminino.

Em Itália, o cenário é diferente. O consumo de álcool — sobretudo cerveja — é geralmente permitido nos estádios, incluindo nas bancadas, sempre em copos de plástico e sob mecanismos claros de controlo. Em jogos considerados de risco elevado, as autoridades podem restringir ou suspender a venda, mas a regra base é a permissão responsável. O foco está na gestão do risco e na adaptação ao contexto, não na proibição generalizada.

A Alemanha vai ainda mais longe. A cerveja faz parte da cultura desportiva e social, e o seu consumo nos estádios é amplamente aceite. As sociedades desportivas, em articulação com as autoridades locais, regulam quantidades, horários e formatos de venda. O dado relevante não é cultural, é empírico: a presença de álcool, quando regulada, não corresponde automaticamente a mais violência.

Na Holanda, um país que podemos considerar ter algumas semelhanças a Portugal, em termos desportivos, a abordagem é igualmente pragmática e........

© A Bola