Resistir ao pessimismo quando tudo está a mudar

O otimismo já conheceu melhores dias. Nos tempos turbulentos e surpreendentes em que vivemos, passou a ser muito difícil encarar o futuro com aquele entusiasmo que, até há bem pouco tempo, associávamos à confiança no progresso, à crença de que o mundo estava sempre a melhorar, e de que o ano seguinte seria obrigatoriamente melhor do que o anterior.

Agora, num clima geral de incerteza económica, de regresso a um estado latente de guerra em regiões que pensávamos pacificadas e perante uma transformação acelerada e imparável da ordem mundial, é natural que tenhamos mais dúvidas do que certezas, quando tentamos antecipar o futuro.

A imprevisibilidade está instalada. A desconfiança sobre tudo e todos é fomentada para criar ainda mais incerteza e insegurança. Com um objetivo claro: fazer-nos ter medo do futuro.

É isso que pretende quem quer fazer-nos regressar aos tempos em que a autoridade se impunha unicamente pela força, independentemente da razão. Quem considera que o mundo deve estar dividido entre esferas de influência ditadas pelos mais fortes e não pelo que desejam as populações de cada nação ou território. Por quem quer perpetuar-se no poder, apenas pela força das armas ou da sua fortuna colossal, como se todos os outros fossem irrelevantes ou obrigados a ser, unicamente, obedientes. Quem, no fundo, nos exige que não pensemos no futuro, porque essa tarefa não nos compete – deve estar, dizem, entregue a quem cria esse medo e que, “generosamente” tratará disso por nós, para todo o sempre e a seu bel-prazer.

É inegável que vivemos uma........

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