É proibido esquecer o esquecimento
Com a chegada da primavera, dos dias maiores e com sol, é fácil esquecermo-nos, levianamente, do que aconteceu no último inverno. Não me refiro ao “comboio de tempestades”, aos ventos de mais de 200 km/hora da depressão Kristin ou às cheias como há muito não se viam no Mondego, no Tejo e no Sado. Tudo isso, decerto, ficará nas nossas memórias por muito tempo – pelo menos, até sermos obrigados a enfrentar algo de parecido que sirva como termo de comparação. Refiro-me, isso sim, às populações que, em vários pontos do País, se sentiram esquecidas nesses dias, semanas, em que o céu literalmente desabou sobre as suas cabeças, levou os telhados das suas casas e deixou tantos sem eletricidade, sem vias de comunicação e até sem acesso a água potável.
Embora seja fácil esquecer, a verdade é que não podemos esquecer esses dias de abandono, que milhares sentiram, com as tempestades. E, acima de tudo, não podemos esquecer quem os esqueceu nesses momentos. Especialmente se, por causa da guerra, do aumento do preço dos combustíveis, do regresso da inflação e tudo o mais que a loucura de Trump está a fazer regressar ao mundo, voltarmos a esquecer esses dias de insuportável........
