É agora que o clima vai voltar a ser urgente? Editorial de Rui Tavares Guedes
Durante anos, demasiados anos, falar sobre alterações climáticas na Europa era falar sobre um futuro distante, quase sempre associado a lugares remotos, quantas vezes do lado de lá do mundo em que habitamos.
Subida do nível da água do mar? Isso era um problema para Tuvalu, Kiribati, Vanuatu e outras ilhas que aprendemos a decorar o nome por essa razão e sobre as quais se publicavam reportagens com fotos que anunciavam, geralmente de forma tranquila, a catástrofe que viria daqui a muitos anos. Aumento das secas extremas? Essa era uma desgraça que sabíamos, há muito tempo, que atingia a Etiópia, o Sudão, bem como uma série de outros países em África, há muito condenados à pobreza. Tempestades mais intensas? Não parecia nada connosco, pois quem devia preocupar-se eram aqueles países e zonas costeiras onde costumam entrar os furacões ou tufões, em especial na Ásia ou na América Central e do Norte. Rios sem água e em risco de desaparecer? Mais uma realidade que associávamos a locais com nomes esquisitos na Ásia Central ou noutras regiões remotas de África – para nós,........
