Independência Lusa

Num momento em que se discute o futuro da agência noticiosa portuguesa, torna-se inevitável refletir sobre aquilo que verdadeiramente está em causa. Não se trata apenas de uma reorganização administrativa ou de um novo modelo de governação, mas o próprio papel do jornalismo independente em democracia.

A manifestação realizada na passada quinta-feira pelos trabalhadores da Agência Lusa, sob o lema “por uma Lusa isenta e livre”, não pode ser vista apenas como um protesto laboral. É, sobretudo, um sinal de alerta sobre a importância da independência dos órgãos de comunicação social.

A solidariedade manifestada pelo Sindicato dos Magistrados do Ministério Público mostra que este tema vai muito além do jornalismo. Quando magistrados do Ministério Público defendem publicamente a independência de um órgão de comunicação social, fazem-no porque reconhecem que uma democracia saudável depende de instituições livres e independentes. Assim como a Justiça precisa de autonomia para aplicar a lei sem pressões, também o jornalismo precisa de liberdade para informar os cidadãos de forma independente.

Esta preocupação não é meramente teórica. Está consagrada de forma clara na Constituição da República Portuguesa. O texto constitucional garante a todos os cidadãos o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento, seja pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio. Mais do que isso, assegura também o direito de informar, de se informar e de ser informado, sem impedimentos,........

© Visão