Incêndios florestais: combater as chamas não basta

Com o início da fase Charlie do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais, Portugal entra, uma vez mais, no período de maior risco de incêndios. Estão mobilizados mais de 13 mil operacionais, cerca de 3 mil veículos e dezenas de meios aéreos. Trata-se de um esforço significativo do Estado para responder a um fenómeno que, todos os verões, ameaça populações, destrói património natural e coloca em risco vidas humanas.

Contudo, a realidade tem demonstrado que, apesar do reforço anual dos meios de combate, a resposta continua a revelar-se insuficiente perante a dimensão e a intensidade dos incêndios que têm afetado o País. As alterações climáticas, os períodos prolongados de seca e as sucessivas ondas de calor criam condições cada vez mais favoráveis à propagação rápida e descontrolada dos fogos rurais.

Basta percorrer as estradas secundárias entre Coimbra, Leiria, Aveiro e Viseu para constatar a dimensão da tragédia. As marcas deixadas pelos incêndios de 2017 e 2024 permanecem bem visíveis na paisagem. São extensas áreas florestais devastadas, testemunhos permanentes de uma realidade que continua longe de estar resolvida. Os números mais recentes confirmam esta preocupação, com 2025 a registar uma das maiores áreas ardidas da última década.

A principal conclusão a retirar é de que o combate aos incêndios florestais começa muito antes da deflagração da primeira chama. Os especialistas têm defendido, de forma........

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