Influencer, Influencer, Influencer. Opinião de Pedro Marques Lopes |
Quando estava a pensar sobre o que queria conversar com os leitores nesta semana, surgiram-me, graças aos deuses, vários assuntos: poderia ser sobre a campanha publicitária do Governo, também conhecida por PTRR; ou acerca do nosso Presidente da República, que ainda não percebeu quais são as suas funções e decidiu criar um Ministério da Saúde em Belém; ou discorrer sobre uma ideia peregrina que circula por aí, na qual se defende que não são precisos sindicatos, associações e demais instituições intermédias, porque os deputados têm uma espécie de monopólio da representação; e, claro, o Nero de Washington deitou fogo ao mundo e agora diverte-se com o espetáculo enquanto nós estamos prestes a ser consumidos na pira global.
Mas vou, pela enésima vez, escrever sobre Justiça à boleia da Operação Influencer.
As razões para voltar ao tema confundem-se com o próprio tema. Fico entre o espanto e a revolta quando percebo que apareceram escutas em segredo de Justiça num caso desta importância, deixando as pessoas indiferentes. Pior, não há uma palavra de um responsável político, as televisões mandam o assunto para o fim de um qualquer alinhamento noticioso, os colunistas encolhem os ombros e passam à frente. Nada, rigorosamente nada.
A divulgação de peças processuais em segredo de Justiça já é vista como normal. A manipulação da opinião pública não preocupa ninguém, e o julgamento popular promovido por quem tem a obrigação constitucional de o fazer nos tribunais provoca um simples encolher de ombros dos nossos representantes. Mas isto – ao que se chegou… – é o menos. O sentimento de impunidade, a descontração com que se derrubou um........