1936 em 2026

No momento em que começo a escrever esta crónica, o último feito de Trump foi ter bombardeado um país soberano e raptado o seu líder. Daqui a uns minutos já pode ter mandado invadir a Venezuela ou dado ordens para matar a agora presidenta. Ele é todo-poderoso.

Parece razoavelmente evidente que as ações levadas a cabo não passam de um “estão a ver o que eu fiz? Agora toca a fazer o que eu quero”. Um dos problemas é que dá toda a ideia de que o próprio Trump e a corja de alucinados sanguinários que o segue não sabem bem o que fazer a seguir.

Deve ter sido muito excitante ter participado naquela espécie de missão de jogo de consola com tiros, explosões e uns bonecos, que por acaso eram pessoas de carne e osso, a irem pelos ares. Mas nem sequer se pensou no cenário seguinte. Ou seja, como ia proceder-se ao estabelecimento do colonato e quem seria o vice-rei. Sabia-se, claro, o que não se queria e não se deixou espaço para dúvidas: alguém legitimado pelo povo ou que quisesse fazer alguma coisa pelos venezuelanos.

Como não estou aqui para insultar a inteligência dos meus leitores, evitarei considerações sobre o que é a ditadura chavista, os propósitos trumpistas de levar a democracia e o bem-estar aos povos – os dirigentes da Arábia Saudita suspiraram – ou a luta contra o narcotráfico – o ex-Presidente hondurenho condenado a 45 anos de cadeia por ter inundado os Estados Unidos da América de cocaína e que Trump indultou deve estar transido de riso – ou as verdadeiras intenções da operação militar.

Agora, passados uns minutos, é capaz de haver suspeitas de........

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