Opinião| A saúde mental na era da empatia sintética

Os problemas de saúde mental afetam milhões de pessoas em todo o mundo, criando uma pressão sem precedentes sobre os sistemas de saúde. É neste cenário de saturação que a IA se infiltra, alterando de forma direta os circuitos de atenção do cérebro. Horas de exposição a algoritmos desenhados para reter o olhar não são neutras para o cérebro. Diversos estudos na área da neurociência sugerem que estes sistemas ativam os mesmos circuitos de recompensa dopaminérgica envolvidos nos jogos de azar, contribuindo para uma menor tolerância à frustração e para uma crescente dificuldade em sustentar períodos prolongados de concentração.

Esta mesma tecnologia que compromete a atenção revela, contudo, um potencial extraordinário quando aplicada à medicina preventiva. Um estudo de 2025, publicado no Annals of Family Medicine, avaliou uma ferramenta de biomarcadores vocais que, a partir de apenas 25 segundos de fala livre, conseguiu detetar características vocais consistentes com um quadro depressivo moderado a grave, com sensibilidade........

© Visão