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Domingo decide-se o essencial: democracia viva ou populismo sem limites

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04.02.2026

No domingo, o voto não escolhe apenas um Presidente: escolhe o tom do País. Escolhe se queremos uma democracia exigente — com regras, respeito e responsabilidade — ou se aceitamos a normalização do extremismo, do populismo e da política feita de ruído, suspeita e ressentimento.

Há eleições que parecem rotina. Esta não é uma delas. Numa segunda volta, o que fica escrito no dia seguinte não é só o resultado: é aquilo que passamos a considerar “normal”. Normal é discutir ideias com firmeza, mas sem desumanizar quem pensa diferente. Normal é criticar com liberdade, mas sem transformar a mentira em método. Normal é discordar e, ainda assim, preservar um chão comum.

Nos últimos anos, fomos sendo empurrados para um ambiente em que a indignação rende mais cliques do que a razão, em que a frase mais agressiva vale mais do que o argumento mais sólido, e em que a suspeita permanente substitui o esforço de compreender. A democracia não morre apenas com golpes ou proibições: pode morrer lentamente, quando passamos a achar “normal” a ofensa, o boato, a insinuação, a perseguição moral e o julgamento sem prova.

É por isso que a eleição presidencial tem um peso particular. A Presidência da República não governa o quotidiano, mas pode proteger ou fragilizar a democracia. Pode ser um ponto de equilíbrio — alguém que modera, escuta, cumpre e faz cumprir a Constituição — ou pode ser um megafone........

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