O poder da educação para a compreensão da Justiça

Existe uma célebre frase atribuída a Pitágoras em que se enunciava o seguinte: “Educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos”. E a verdade é que, se bem pensarmos, a justiça entra desde cedo nas nossas vidas, mesmo sem nos apercebermos. Ainda em crianças, logo somos confrontados, em discussões simples, com os dilemas do “justo” e do “injusto”, ou do que deveria ou não acontecer. Esta realidade vai ganhando, necessariamente, maior complexidade à medida que o mundo à volta se torna, também ele, mais exigente. Na verdade, por muito que nos passe despercebida, quer em crianças, quer em idade adulta, a justiça está sempre presente no nosso quotidiano, sendo condição essencial da vida em sociedade.

Ainda assim, a forma como se aborda ou ensina a justiça, não raro, permanece envolta em muitas interrogações e nem sempre acompanha a evolução e o crescimento formativo das crianças e jovens. Na verdade, com exceção daqueles alunos que acabam por optar seguir a sua formação nas áreas jurídicas, muitas vezes o conhecimento que chega aos demais fica demasiado preso a definições gerais, sem o grau de detalhe que muitas vezes a própria curiosidade dos alunos demanda.

Ora, tudo isso cria um desfasamento. Os jovens contactam diariamente com temas que pertencem claramente ao domínio da justiça, como a violência doméstica, a violência de género, a violência no namoro, a violência sexual, a discriminação, o bullying, oscrimes de ódio ou o cibercrime, mas raramente têm espaço estruturado para os compreender com profundidade. Sabem que essas realidades existem, na sua maioria reconhecem-lhes a gravidade, mas não conhecem bem as consequências, os enquadramentos legais,........

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