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Leiria recomeça, logo existe

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06.02.2026

A dado passo do meu trajeto profissional, tive o privilégio de servir nos tribunais de Leiria, Marinha Grande, Pombal e Coimbra. Guardo dos meus colegas de então e das gentes desta zona do País a melhor das recordações. Também por isso, foi com redobrada consternação que assisti aos efeitos nefastos da tempestade que ali se abateu. Recentes imagens aéreas dão-nos real visão do impacto que atingiu a cidade e a região e a conclusão é só uma: ficaram irreconhecíveis. O pinhal histórico, outrora símbolo de proteção ambiental e identitária, surge agora esventrado pelo vento e pela chuva, como se séculos de planeamento tivessem desaparecido num só instante. O estádio municipal está virado do avesso, sem cobertura nem estruturas intactas, e o rio Lis transbordou, inundando ruas, invadindo casas e deixando marcas muito visíveis da força da tempestade.

É nesse cenário que a célebre frase — “Leiria não existe” — adquire um peso irónico e quase sombrio. Leiria existe de facto e, como a conheci, é alegre, ativa e pulsante. Porém, ficou muito ferida, desfigurada e vulnerável. Essa invisibilidade que se proclamava consistia, já então, numa profunda e marcante chamada de atenção para a necessidade de termos um país que se vire........

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