Assim se constrói um país

Na semana em que se celebra o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, vale a pena olhar para além das cerimónias e dos discursos e enaltecer algo que, de forma nem sempre visível, fortalece verdadeiramente um país. Falo da capacidade que as comunidades apresentam de se unirem em torno de aspetos tão estruturantes como a proteção dos mais vulneráveis, a educação para a cidadania ou da necessidade de reforço da confiança nas instituições.

Nos últimos tempos, vários têm sido os exemplos que, de forma otimista, apontam no sentido de caminharmos para uma sociedade mais informada, mais consciente dos seus direitos e da necessidade de estreita colaboração com quem tem a missão de os defender. Esta semana, por exemplo, foi noticiado o caso de menina que conseguiu denunciar uma tentativa de abuso através de uma chamada para o 112. Nessa chamada, utilizando linguagem codificada, esta criança terá conseguido passar a mensagem certa ao agente da PSP que a atendeu. Tratava-se de um real pedido de socorro que o agente conseguiu decifrar, atuando de imediato e com eficiência.

Esta situação, com pontos de contacto com tantas outras que vão ocorrendo no dia-a-dia dos serviços de emergência, mostra, contudo, o elevado sentido de consciência dos perigos por parte de uma criança, bem como o notável nível de preparação e discernimento do agente da autoridade que nesse dia teve a missão de atuar com prontidão, mantendo uma conversa aparentemente normal, enquanto acionava os meios de proteção que se impunham.

A primeira conclusão a retirar é simples: sem prejuízo do grau de maturidade e das capacidades inerentes a cada criança, estas apenas se conseguem proteger se forem devidamente preparadas para o fazer. É, de facto, fundamental que na........

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