Guia turístico das hesitações masculinas

“De nenhum fruto queiras só metade”

Depois de dois encontros intensos naquele mesmo hotel, onde podiam esquecer o mundo exterior, ela esperou que se instalasse entre ambos uma espécie de regularidade inevitável. Não apenas do desejo físico, mas da urgência de descobrir dois corpos e duas geografias emocionais que já não tinham tempo para jogos adiados. Imaginava mensagens impacientes, convites súbitos, o impulso quase irracional de voltar a tocar lentamente aquilo que os tinha desorganizado tão repentinamente.

Passaram-se dias a mais. Ela sabia que ele acabaria por telefonar. Não por uma qualquer ciência, nem por qualquer uma dessas intuições femininas que as revistas costumam exagerar com deplorável insistência. Simplesmente, porque certas memórias têm uma persistência quase administrativa. Ficavam arquivadas em sítios recônditos do corpo e reapareciam, quando menos se esperava.

A timidez dele (que inicialmente lhe parecera quase comovente)........

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