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Obrigada pela lição, Jeff Bezos!

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13.02.2026

Fomos todos chamados à redação. De pé, no meio da sala, até parecíamos muitos. Alguém fez essa piada, com o riso nervoso de quem sabe o que aí vem, mas tem no humor uma espécie de fé supersticiosa. Como se nos rirmos da desgraça que aí vem pudesse impedi-la de acontecer. À nossa frente, os diretores de olhos baixos, presos ao chão, os pescoços curvados. A cena que descrevo não aconteceu uma vez nem duas. Na verdade, perdi a conta às vezes em que assisti na primeira fila a despedimentos coletivos em jornais. A cada nova leva de saídas, invariavelmente, os títulos afundaram-se mais um pouco. É como ir tirando as tábuas de um barco para o tornar mais leve. Na verdade, estamos só a apressar o seu naufrágio.

Nos sítios por onde passei havia sempre carros de alta cilindrada, combustível pago e cartões de crédito para os cargos de direção, mesmo quando ir em reportagem era sempre demasiado dispendioso. Havia quase sempre instalações grandiosas, com muitos lugares de garagem, mesmo que fosse difícil arranjar transporte para ir fazer um trabalho fora de Lisboa. Havia muitas vezes figuras pagas a peso de ouro, cuja função ninguém sabia bem qual era, mas também ninguém questionava, à medida que na base da pirâmide se acumulavam os trabalhadores mal pagos, que só se aguentavam com os salários que lhes pagavam porque a família os ajudava com a renda ou a alimentação ou ambas. Não era que o dinheiro faltasse, era que as prioridades estavam sempre trocadas.

De vez em quando, apareciam novos acionistas. Dinheiro fresco e uma espécie de esperança coletiva, que esmorecia rapidamente. Não tardava até virem novos despedimentos,........

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