O 25 de Abril e o país do “cada um é para o que nasce”. Crónica de Margarida Davim
O 25 de Abril de 1974 calhou a uma quinta-feira. Na verdade, não calhou. O dia que agora está nos calendários como o feriado da revolução e da liberdade foi escolhido por motivos táticos. Como o País, mesmo pequeno, se fazia grande, com estradas miseráveis que agigantavam os trajetos, os soldados demoravam muito a ir e a vir das visitas às terras e era preciso escolher um dia da semana em que a maioria já tivesse regressado das folgas. Ora, era na noite de quarta para quinta-feira, a meio da semana, que mais gente estava nos quartéis. Era também preciso que a revolução não se fizesse no 1º de Maio, porque nessa data, Dia do Trabalhador, as forças do regime estariam completamente mobilizadas, atentas a qualquer movimentação estranha. Era preciso apanhá-los desprevenidos. Por isso e sabendo que os inimigos são muitas vezes aqueles de que menos suspeitamos, os capitães de Abril fizeram, nos dias antes do golpe, passar a mensagem de que se estava a preparar alguma coisa para outro dia. Cada um passou a informação a dez dos que considerava mais insuspeitos e leais. E, já depois da revolução feita, vieram a descobrir que a informação falsa achou mesmo o caminho da PIDE.
A história que aqui descrevo foi-me contada pelo coronel António Rosado da Luz, um dos capitães de Abril. E ela mostra-nos como a História se faz de acasos, de circunstâncias e de traições. Também nos mostra como, entre aqueles que os militares de Abril consideravam os mais leais, havia bufos. Eles sabiam-no. Foi precisamente por o saberem que fizeram circular por eles uma informação falsa para despistar a PIDE. Este pequeno pormenor,........
