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Jovens cheios de mofo

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20.03.2026

Está encostada para trás na cadeira. A grande barriga empinada debaixo do vestido com flores garridas. As mãos sobre o ventre, talvez auscultando os movimentos aquáticos do bebé ou tentando medir os tremores das primeiras contrações do fim da gravidez. Tem uns olhos azuis líquidos que chamam a atenção, longo cabelo dourado caído sobre os ombros e uma boca cor-de-rosa de lábios inchados pela gestação. Ele senta-se, pousando o chá, que ela insiste em saber se é de framboesa, por ter visto na internet que era bom para as contrações. “É de frutos vermelhos”, vai repetindo ele, com um ar um pouco perdido, o bigode fino nervoso por cima dos lábios, as mãos fingindo procurar qualquer coisa nos bolsos da parka verde-escura, antes de se sentar diante dela, sem nenhum sinal de intimidade ou carinho. Os dois tensos, com aquela barriga entre ambos e uma pequena mesa redonda, onde ficaram pousados os chás.

Sem mais conversas de circunstância, como se se tivessem ali sentado para aquele exercício, ele começa a debitar o que, vou percebendo à medida que o oiço, são as melhores qualidades dela. “Tens muito sentido de humor… para rapariga. É uma coisa rara nas raparigas.” Ela acena vagamente com a cabeça, a mão ainda afagando o ventre, enquanto ele discorre sobre como ela tem aquela característica que ele acha que falta às mulheres em geral. “És muito boa mãe. Consegues sempre acalmá-la. Não é porque tens muita paciência. Às vezes, também gritas.” Ela encolhe os ombros e lança-se para a frente. “A minha paciência tem limites”, exaspera-se. “Sim, mas tu és melhor a lidar com ela, porque é como se soubesses sempre aquilo de que ela precisa. Tens instinto”, conclui, antes de rematar com a qualidade que deixou para o fim. “Cuidas de ti. Há mulheres que se desleixam depois de........

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