Portugal: o laboratório político da Europa
A Europa deixou de enfrentar crises isoladas. Esses desafios alimentam-se mutuamente: a transformação demográfica pressiona o mercado de trabalho, a imigração tornou-se simultaneamente uma necessidade económica e um fator de tensão política, o crescimento perdeu dinamismo, o Estado social enfrenta uma pressão crescente e a rivalidade entre grandes potências voltou a influenciar decisões que, durante décadas, pareciam exclusivamente económicas.
Poucos países ilustram esta nova realidade com tanta clareza como Portugal. Não porque tenha resolvido esses problemas antes dos outros. Pelo contrário. A relevância portuguesa decorre do facto de concentrar, num mesmo espaço, tendências que atravessam praticamente toda a União Europeia. O que noutros países emerge de forma gradual concentra-se aqui de forma particularmente nítida. Portugal deixou de ser apenas um caso nacional. Tornou-se um dos lugares onde as grandes tendências europeias se revelam primeiro.
A origem desta transformação raramente ocupa o centro do debate político. Está na evolução demográfica do continente. Durante demasiado tempo, esta realidade foi tratada sobretudo como um problema da Segurança Social. Essa leitura tornou-se insuficiente. À medida que diminui a população ativa, alteram-se os padrões de consumo, cresce a pressão sobre os sistemas de saúde e reduz-se o potencial de crescimento. O que parecia uma variável estatística passou a condicionar praticamente todas as decisões económicas.
É neste contexto que a imigração assume um significado diferente. O debate continua frequentemente prisioneiro de uma falsa escolha entre quem a apresenta como ameaça e quem a descreve como solução. A realidade é menos confortável. Países confrontados com a escassez de trabalhadores dependem cada vez mais da imigração para sustentar a atividade económica. Mas esse contributo só se traduzirá em estabilidade se for acompanhado por políticas capazes de........
