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Vinte e sete exércitos e uma ilusão

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09.03.2026

Seriam os EUA mais fortes se tivessem 50 exércitos em vez de um? Sem convergência estratégica e uma decisão política clara sobre o horizonte federal da União Europeia, o exército europeu continuará a ser o que é hoje: uma ideia sedutora, mas inalcançável.

O regresso do exército europeu ao centro do debate diz menos sobre a sua exequibilidade do que sobre a ansiedade do momento. A guerra na Ucrânia, a fadiga do consenso transatlântico e a volatilidade da política americana criaram um ambiente propício a soluções milagrosas. Porém, quando se desce do plano declarativo para o terreno das instituições, dos tratados e da prática militar, a conclusão impõe-se com frieza: um exército europeu, hoje, não é viável. Não por défice de simpatia pública ou de necessidade, mas por ausência de condições políticas, jurídicas e operacionais mínimas, começando pela operacionalidade da Cláusula de Defesa Mútua.

O primeiro bloqueio é estrutural. A União Europeia permanece uma comunidade de “outros”, não de “irmãos”. A soberania última sobre o uso da força continua firmemente ancorada nas capitais. O direito de fazer a guerra e o direito de falar em nome do Estado não foram transferidos para Bruxelas. As decisões em matéria de política externa e de defesa exigem unanimidade, concedendo a cada Estado-membro um direito de veto. A indecisão alemã, a existência de Estados neutros – Irlanda, Áustria, Malta – e de membros dispostos a instrumentalizar o veto, como a Hungria e a Eslováquia, demasiadas vezes ao serviço de Moscovo, torna qualquer salto........

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