Uma casa verdadeira |
O que é uma casa? O que a define? Mais especificamente, o que é a nossa casa? Como se sabe isso? Em que momento um conjunto de divisões, corredores, portas e janelas deixa de ser um sítio onde se vive para passar a ser o lugar de onde se vem? Tenho umas impressões vagas sobre o assunto. Umas intuições que terão mais a ver com objectos, memórias e decoração de interiores do que propriamente com plantas ou projectos de engenharia.
Imaginar-se-ia que um arquitecto pudesse responder com maior segurança. É o mais natural, tratando-se de quem passa a vida a desenhá-las, como se supõe que um padeiro saberá de regueifas ou um compositor de canções. Mas não. Pelo menos um bom arquitecto, não. Eduardo Souto Moura, nosso príncipe das justas proporções, diz que não sabe. E que, se soubesse o que é uma casa, não continuaria a trabalhar em arquitectura. Isto é admirável.
Imaginamos assim, nesta resposta de Souto Moura, que a casa a que sempre regressa em cada desenho é uma espécie de resposta incompleta e persistente à vida humana. Um enigma que o acompanha, como o velho viúvo diante do retrato da mulher. Uma procura da verdade. E por isso, talvez, as respostas possíveis estejam menos na promessa de um desenho do que naquilo que o desenho vem depois a conter.
Não é preciso mandar projectar uma casa para que a casa diga quem somos.........