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O cisma e a vontade de cismar

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03.07.2026

Há qualquer coisa de obsceno na alegria com que se noticia uma excomunhão. Pior ainda é a antecipação. Como se nem os assuntos mais delicados pudessem ser poupados ao apetite que temos por sangue: aquele impulso de abrandar quando há um acidente na auto-estrada, ou a curiosidade em querer saber o que se passou afinal com os vizinhos de baixo. O homem moderno pode dizer “empatia” cinco vezes por dia. Mas dêem-lhe uma ferida e lá vai ele.

Foi assim, cheia de sangue, que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X voltou às notícias. O caso não é para menos. Se o mundo despreza a Igreja, desprezará ainda mais a parte dela onde julga confirmar a caricatura que sempre lhe fez. A FSSPX — alternando, conforme a ocasião, com o Opus Dei — cumpre assim a função preciosa de fornecer um catolicismo suficientemente sombrio para poder ser odiado sem problemas de consciência. É o chamado monstro útil. Uma categoria que dá imenso jeito para não ter de pensar.

Da imprensa secularizada, digamos assim, isto não surpreende. O mais revelador é quando o mesmo impulso aparece no jornalismo católico, ou, caso a distinção faça sentido, no jornalismo feito por católicos. João Francisco Gomes, do Observador, por exemplo, escreveu artigos certamente informados sobre o assunto. Mas, mesmo sabendo da espessura do caso, não resistiu à tentação de desenhar uma moldura activista para um drama espiritual. É um truque.........

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