O Anti-Ventura
Como dizê-lo? No próximo Domingo as pessoas vão escolher um Presidente da República, mas, na realidade, não vão. Reformulo: vão, sim. Vão escolher. Mas não um Presidente: vão escolher um André Ventura. Votando contra ou a favor, com entusiasmo ou com engulhos morais, é sempre ele o vencedor. — “Como assim?”, interrogar-se-á o leitor, com a natural incredulidade de quem ainda acredita que as eleições são lugar para o exercício do livre-arbítrio. Explico, pois, com a franqueza possível.
Nestas eleições não é preciso apresentar Ventura. Como sempre, ele está em todo o lado. E não é por falar alto — embora fale — mas porque tudo o resto fala em função dele. Desde que apareceu na cena política indígena, tornou-se no pivot inoportuno do sistema, aquele em torno do qual todos giram, mesmo que jurem o contrário. Nestas eleições tem sido exactamente assim. E assim será quer ganhe, quer perca. As coisas estão de tal modo organizadas que, mude-se o voto, mude-se o tom, mudem-se as alianças, o eixo permanece incorrupto.
António José Seguro poderá vencer. É, aliás, o mais........
