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Faça o bando o que fizer

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30.01.2026

Quando em 2009 conheci os Capitão Fausto mal sabia o que aí vinha. Acontece-me com frequência. Havia quem soubesse. Como o Diego Armés, dos Feromona. Já os tínhamos visto nas Dispersões Coloidais, essa coisa meio clandestina, meio milagre, que o João Pedro Vala organizava, ali para os lados do Lavra. Para o Diego, era evidente. Para mim, não.

Se eu tivesse tido, na altura, as certezas dos meus pares, tê-los-ia recebido na Amor Fúria, a editora independente que tinha na altura. Era o gesto natural. Mas não foi assim.

Corre a lenda — confirmada pelos próprios, o que a torna ainda mais suspeita — que, num ensaio, ainda na Travessa do Monte do Carmo, eu lhes terei dito qualquer coisa imperdoável. Não nego. Também não confirmo. Posso ter sido pouco esperto. Fui, aliás. Padecia daquela bazófia pueril dos que julgam que Nosso Senhor lhes passou uma procuração temporária para administrar o mundo.. É um estado de espírito comum. Acontece aos piores. E aconteceu a mim.

Mas uma coisa sei e aqui não há ironia possível: nunca achei que eles fossem maus. Nunca na vida. Eram cinco miúdos habilidosos, cheios de música, com ouvido, com mundo interior. Rapaziada capaz de pegar no que gostava e fazer nascer outra coisa, só deles, daquela maneira. Isso é valiosíssimo, e deve guardar-se bem guardado. O que eu não acreditava — e aí não vacilo — é que fossem uma banda.

E foi por isso, percebo agora, que não os convidei para a editora. Havia, nessa altura, os primeiros discos de longa duração dos Capitães da Areia e dos Velhos em pleno andamento. Esses, sim, bandas. Uns porque ainda não o eram e tinham de aprender à força. Os outros porque já o eram demasiado. Os Capitão Fausto não cabiam aí. E era preciso fazer escolhas.

Quer dizer, eles tinham tudo. Tinham os instrumentos, que sabiam tocar bem, tinham a música, tinham até a........

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