O quase Rei! |
Quer ser “rei” no lugar do Rei! Não é o vizir ou o califa que Iznogoud (is no good!) ambicionava ser, mas sim o presidente que quer ser coroado. Já ostenta quase todos os símbolos e insígnias: a cara nas moedas, a assinatura nas notas, o nome no Salão de Baile e no aeroporto, a designação no estreito da guerra e a vontade inabalável de se perpetuar na Casa que será Palácio. Carregado de apliques dourados!
Falta-lhe o último golpe de mestre, aquele que Iznogoud nunca conseguiu concretizar: ser realmente Rei, dinástico, que nunca morre (um Rei nunca morre!) e coroado na mais fabulosa cerimónia de sempre. Como nunca se viu, diz ele! Cada convidado — chefe de Estado ou, no mínimo, de Governo — tem de pagar para receber o convite. Cem milhões de dólares por cabeça, tal como no “Conselho para a Paz”.
Fechada a guerra do Irão, mais coisa menos coisa, e resolvido o assunto de Cuba, o rei que quer ser Rei marcará a data por que todos anseiam. Mas antes de novembro, para não ser perturbado pelo Congresso. Muito antes, conviria. A aclamação está por um fio. Todos os meses perde um lugar, que passa para os extremistas. Deslindando: os extremistas querem a República, lutam pela União; e os outros — que ainda se reconhecem como republicanos — querem a Coroa, a monarquia hereditária, ou algo semelhante.
As ruas agitam-se. As manifestações agigantam-se. Os protestos espalham-se. O tempo escasseia. Se não pode ser califa ou vizir, Iznogoud contenta-se com a coroa real. Que assim seja.
Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.