Guerras datadas!

Trump acha-se iluminado e com apoio divino. Está cada vez mais errático e autocentrado na sua personalidade megalómana. El Salvador deu-lhe inspiração e achou que o Irão seria uma questão fulminante. Não foi, não será, e os EUA estarão obrigados a fazer contas aos meios e às munições. Daqui a uma semana falamos. Eles, claro. E contar munições também diz respeito ao Irão e particularmente aos países do Golfo. O presidente iraniano lançou a «cenoura»: não atacamos se não permitirem que os americanos ataquem a partir daí.

2. Com ou sem líder supremo, Teerão está a ferro e fogo, mesmo que ainda possa dar um ar de força e resistência. Ao ritmo a que avançam Israel e os EUA — este com um poder de projeção de força inquestionável — os iranianos têm pouco tempo para respirar. Nada será igual e isso é uma boa notícia. A impunidade terrorista e a aspiração à grandeza regional estão a resultar numa catástrofe.

3. O Líbano voltou aos tempos negros dos anos 80 e 90. O Sul está a ser destruído implacavelmente pelos israelitas e o Hezbollah pouco ou nada contou na ajuda ao Irão. Quietos estão os houthis, por medo ou por falta de ordens iranianas, mas poderão juntar-se a este tabuleiro de guerra regional. Decididos e focados, como sempre, estão os israelitas e a sua capacidade militar. Lutam em duas frentes, talvez numa terceira, mas não abrandam enquanto durar. É o seu único e central objetivo estratégico.

4. A Europa assiste incrédula a esta vontade americana de ação militar em qualquer parte do mundo. Já está tudo agendado para Cuba. Se existisse um Nobel da Guerra, já estaria nas mãos de Trump. Ainda não saiu de uma e já prepara outra. Mas, curiosamente, não consegue acabar com o conflito na Ucrânia, de onde os europeus não se podem distrair. Esperto, Zelensky vai ajudar os americanos e os países do Golfo na guerra de drones contra drones.

5. Starmer apanhou um escaldão, mas os dois já voltaram à conversa, sendo que amanhã, ou daqui a pouco, pode aparecer mais uma vergastada no «Truth». Sánchez aguarda por retaliações, embora a porta-voz da Casa Branca tenha deitado uma panela de água fria, dizendo que Espanha e os EUA já estão a conversar. Conversa fiada. Não há uma verdade nesta guerra de terceiros.

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