Guerra ao pequeno almoço!
Não. Não é assim que se inicia uma guerra desta dimensão. Não com o Sol já alto, não à vista de todos, não como se fosse mera rotina operacional. Ataques desta envergadura fazem-se na sombra, na madrugada, no silêncio absoluto. A menos que surja uma janela de oportunidade irrepetível. E surgiu.
Israel tinha duas informações críticas. Khamenei estava “em casa”. E a cúpula político militar reunida no coração do reduto governamental. A hierarquia concentrada. Era o momento. E momentos destes não se repetem. Quando a história abre a porta, entra-se. Sem hesitação.
Khamenei está onde queria. No Martírio. Por detrás daquele rosto de Pai Natal existia um homem duro e implacável. Liderou pela confrontação, financiou milícias, armou e espalhou terror e instabilidade. Tinha Israel como obsessão. Os Estados Unidos como inimigo estrutural. A Europa como alvo colateral. Internamente era mão de ferro. Sangue-frio. Ordens claras. Reprimir. Abater. Executar. Ainda há semanas o mundo viu manifestantes civis a tombar por protestarem contra o custo de vida. “Abatam-nos!”, gritava o Líder Supremo.
A guerra só agora começou. Teerão procura um sucessor. Rapidamente. Um nome. Uma figura. Talvez o filho. Talvez outro guardião da mesma ortodoxia. A prioridade é dupla: garantir continuidade e conter a agitação interna. Porque o perigo não vem só de fora. Vem de dentro. Vem de todos os lados.
Militarmente, o Irão ainda pode lançar mísseis. Activar drones. Testar defesas. Infligir danos. Mas por muito tempo? Não. Não tem profundidade logística. Não tem capacidade industrial para reposição prolongada. Aqui reside a questão essencial: não será uma guerra longa. Não pode ser. O regime joga tudo num espaço de tempo curto. Se falhar, implode. Se hesitar, fragiliza-se. Se exagerar, arrisca-se a um golpe fatal. O futuro do teocracia está agora nas mãos da sociedade iraniana.
Uma coisa é certa: a potência regional que conhecíamos está a desaparecer. Assim. Aos pedaços. De forma abrupta. Violenta. Histórica. E quando um regime termina no Médio Oriente, faz-se normalmente com grande estrondo.
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