#NãoFechemOsOlhos - Crónica contra a indiferença

O oposto do amor não é o ódio, é a indiferença… A neutralidade ajuda o opressor, nunca a vítima

Há frases que não envelhecem porque nomeiam um perigo recorrente. Elie Wiesel, escritor sobrevivente dos campos de concentração nazi e Prémio Nobel da Paz em 1986, denunciou o poder corrosivo da indiferença. Hoje, essa denúncia volta a ser necessária — não apenas como memória, mas como exigência cívica. O que escolhemos ignorar torna-se o terreno fértil onde prosperam injustiças, abusos, mentiras e calculismos convenientes.

Nos últimos dias, a VISÃO lançou um alerta: “Contra a indiferença, o deixa‑andar e o calculismo de conveniência”, sublinhando um paradoxo deste tempo — quanto mais nos indignamos nas redes, menos agimos na realidade. O editorial de Rui Tavares Guedes denuncia um “adormecimento coletivo” potenciado por algoritmos que preferem polémicas a pensamento e ações com consequências, e reclama informação livre, rigorosa e independente para abrir os olhos e reconstruir a exigência democrática. No mesmo espírito, a série #NãoFechemOsOlhos reforça a urgência de distinguir realidade de ruído, convocando os leitores e cidadãos a não se refugiarem no conforto do “deixa andar”.

Se é verdade que a velocidade das........

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