Otimismo cético |
A morte de Jorge Palma levou-me a percorrer quase todas as suas músicas, maravilhada pela lucidez das suas palavras. Há uma música cuja letra relembrei e com a qual me identifico muito. “Otimista Cético”, onde ele escreveu sobre a saturação perante a violência exposta nas notícias e a facilidade com que o horror se transforma numa rotina visual. Esta recusa em aceitar o horror que os homens produzem como algo natural define exatamente a minha postura perante o mundo em que vivo. Declaro-me, também eu, uma otimista cética.
Assistimos diariamente ao extermínio de populações. Na Palestina, onde há quase três anos o genocídio em Gaza chega-nos em tempo real, enquanto a ocupação prossegue, a violência e a destruição entram-nos pelos olhos adentro e a comunidade internacional continua sem vontade de travar aquilo que afirma condenar. Atiram-nos areia para os olhos. A........