A praça não se cala

As praças das cidades não nasceram para ser postais ilustrados nem corredores silenciosos para o turismo. Uma praça é o coração vivo da democracia, o lugar onde o povo se junta, convive, festeja e expõe o seu sofrimento. 

Quando o Estado falha consecutivamente na resposta ao drama inominável de quem não tem onde morar, a rua passa a ser o último recurso  para exigir o cumprimento da Constituição.

Foi isso que aconteceu na Praça D. João I, no Porto, e no Rossio em Lisboa. O povo ocupou o espaço público porque está sufocado.

Um acampamento urbano incomoda a cidade porque esse incómodo é a voz de quem está a sofrer.

Um acampamento não resolve a crise da habitação, apenas lhe dá nome e cara.

A resposta do poder político foi a força bruta. Mandou a polícia avançar sobre manifestantes pacíficos, cívicos e desarmados, carregados de força e coragem. 

Cargas com centenas de polícias, de madrugada, com tazers, ameaças com........

© Visão