Contra a abstenção. Opinião de Guilherme D'Oliveira Martins

A segunda volta das eleições presidenciais tem características próprias. Tenho a memória bem viva da escolha de há 40 anos, onde tive um empenhamento ativo. O tempo mudou, mas é a construção da democracia que está em causa. Não há vitórias antecipadas e os resultados não serão indiferentes.

Neste momento, o desafio fundamental é o da mobilização para que todos votem em consciência. Não se pense que não vale a pena ir votar porque as tendências estão definidas. Quem o fizer desvaloriza ilegitimamente o sentido dos resultados. Não será, por exemplo, a mesma coisa um dos candidatos ganhar uma legitimidade acrescida em relação aos votos do partido do governo. O equilíbrio das legitimidades seria gravemente afetado. Nestes termos, votar em consciência significa que a participação democrática deve oferecer um quadro fiel do eleitorado. É um erro pensar que a lógica de lavar as mãos como Pilatos não tem consequências. 

Veja-se a lógica assimétrica dos argumentos de campanha. O discurso radical e cego de........

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