A difícil empreitada de Luís Neves. Opinião de Filipe Luís

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, entrou como um meteorito pela política nacional adentro. A sua nomeação para o Governo, substituindo a ministra Maria Lúcia Amaral que, malgrado a credibilidade do seu currículo e o prestígio inerente, havia fracassado no difícil lugar, começou logo com uma polémica: transitando diretamente de diretor da Polícia Judiciária, entidade que continuava a investigar o primeiro-ministro, no âmbito de um processo relacionado com as obras na sua casa de Espinho, Luís Neves iniciava o mandato acossado pela velha história “da mulher de César”. Ainda assim, o seu bom desempenho à frente da polícia de investigação, os seus resultados como operacional – e a sua invulgar capacidade de os comunicar publicamente… – serviram-lhe como escudo contra uma eventual “má imprensa”. Mais, as suas credenciais no combate ao terrorismo de extrema-direita (o único terrorismo ativo, nos nossos dias…) bem como o discurso antipopulista, na divulgação e na interpretação dos números da criminalidade e da relação entre segurança e imigração, davam-lhe o benefício da dúvida: ele não estava ali para seguir cartilhas políticas de associação ao Chega e até entrava com o invulgar beneplácito de setores da esquerda. O que, por outro lado, tinha o condão de o tornar um alvo a abater, o que se verificou imediatamente, com a marcação cerrada da imprensa conotada com a direita e, sobretudo, de vários comentadores dessa área política, com especial destaque para o comentador da SIC e militante do PSD com ligações a Passos Coelho, Miguel Morgado, que de imediato iniciou a sua cruzada contra Luís Neves. Por entre os pingos da chuva, diariamente visado pelo Chega e pelos comentadores à direita, Luís Neves arregaçou as mangas, prosseguiu com a sua intuição de comunicador, assumiu a presença no terreno e nos média, na primeira crise de incêndios flotestais – em contraste com um........

© Visão