Opinião | Os idosos não podem continuar a ser invisíveis
Portugal orgulha-se de ser um país solidário, assente em valores de justiça social e respeito pela dignidade humana. No entanto, basta olhar com atenção para a realidade de milhares de idosos para perceber que ainda estamos muito longe de cumprir esse ideal. O envelhecimento da população constitui um dos maiores desafios demográficos do século XXI, mas continua a não ocupar o lugar central que merece no debate político e nas prioridades governativas.
A esperança média de vida aumentou significativamente nas últimas décadas. Vivemos mais anos, é verdade. Mas viver mais não significa, necessariamente, viver melhor. Para muitos portugueses, envelhecer tornou-se sinónimo de dificuldades económicas, isolamento social e abandono. Uma realidade silenciosa que raramente ocupa as primeiras páginas dos jornais, mas que se repete diariamente em cidades, vilas e aldeias de norte a sul do País.
Depois de uma vida inteira de trabalho, de descontos para a Segurança Social, de sacrifícios pessoais e familiares e de um contributo decisivo para o desenvolvimento do País, muitos reformados sobrevivem hoje com pensões que mal chegam para pagar as despesas essenciais. O aumento do custo de vida, da alimentação, da energia, dos medicamentos e da habitação reduziu drasticamente o poder de compra de quem já vivia com poucos recursos. Para demasiados idosos, o fim do mês transforma-se num........
