O Nobel disse o que ninguém quer ouvir
Portugal tem um talento extraordinário para matar o mensageiro e ignorar a mensagem. Sempre que alguém de reconhecida autoridade internacional aponta as fragilidades do País, a reação é previsível: desvalorizar, relativizar ou acusar de desconhecimento da realidade nacional. As declarações de James A. Robinson, Prémio Nobel da Economia, são o mais recente exemplo. Em vez de nos indignarmos com quem expõe os nossos problemas, talvez nos devêssemos indignar com o facto de eles persistirem há décadas.
O Nobel não descobriu nada de novo. Apenas retirou o verniz às ilusões que sucessivos governos, de diferentes cores políticas, foram alimentando. Portugal não cresce porque tem instituições que travam o crescimento. Não paga melhores salários porque produz pouco. Produz pouco porque o investimento é penalizado, a burocracia sufoca, a justiça tarda e a administração pública continua organizada para servir o sistema e não os cidadãos.
Há décadas que ouvimos discursos sobre modernização, competitividade, inovação e transformação digital. As palavras mudam, mas os problemas permanecem. O Estado continua pesado, lento e excessivamente centralizado. A máquina administrativa continua a exigir ao cidadão........
