A erosão que expõe o Estado, o alerta que vem do Furadouro
A praia do Furadouro tornou-se, ao longo dos últimos anos, um retrato inquietante da forma como Portugal tem lidado com a erosão costeira, com urgência nos discursos, mas com insuficiência nas soluções. O avanço do mar, a perda acelerada de areia e a ameaça direta a habitações, comércio e infraestruturas deixaram de ser um problema distante ou sazonal. São, hoje, uma realidade permanente que coloca em causa a segurança de uma comunidade inteira e a credibilidade das políticas públicas para a gestão do litoral.
As intervenções realizadas no Furadouro têm sido, na sua maioria, apresentadas como “obras de contenção” ou “medidas de mitigação”. Na prática, funcionam como cuidados paliativos, respostas temporárias que não alteram a dinâmica de fundo nem travam o processo de erosão. Sacos de areia, reforços provisórios e pequenas estruturas defensivas sucumbem aos primeiros temporais mais intensos, obrigando a novos investimentos, novas obras e, invariavelmente, ao mesmo resultado, a linha de costa continua a recuar, metro a metro,........
