Prémio Limão Azedo para o “Almirante” Melo que foi às compras

Prémio Limão Azedo para o “Almirante” Melo que foi às compras

A concessão à área da Defesa de uma centralidade política e de uma relevância orçamental desconhecidas em cinco décadas de democracia é uma das mais profundas alterações estruturais dos últimos anos das nossas políticas públicas.

Tendo sido feito o 25 de Abril para acabar com 13 anos de guerras africanas sem solução militar, verificou-se, ao longo de décadas, uma lenta reformatação das Forças Armadas, abandonando progressivamente um modelo de base territorial com uma grande presença de unidades junto da fronteira com Espanha (Chaves/Bragança/Estremoz/Elvas) e um dimensionamento destinado à projeção de grandes contingentes para os três teatros de operações coloniais.

A adesão à CEE eliminou a fronteira terrestre, tornou Espanha no nosso maior parceiro comercial e substituiu os quartéis de fronteira por Institutos Politécnicos, em diversas cidades do interior, ou em destinos turísticos reconhecidos como Património Cultural da Humanidade como sucedeu em Elvas.

Mais difícil foi a adaptação das Forças Armadas ao fim do Serviço Militar Obrigatório, bem como aos efeitos da demografia e do aumento da escolaridade na perda de atratividade do voluntariado. Igualmente, só lentamente a preponderância da nossa dimensão marítima e atlântica foi ganhando peso num sistema que tinha poucos incentivos à sua modernização, para além da crescente participação em forças nacionais destacadas nos Balcãs, no Afeganistão ou na África Subsaariana.

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