Prémio Laranja Amarga por um ano feliz para o Governo mas infeliz para os portugueses |
Agora que 2025 está nas últimas 48 horas é possível adiantar já as grandes tendências do ano, deixando para amanhã o balanço final e o ranking do Governo desde que iniciamos em junho este exercício de cidadania ativa.
Usando modelos consagrados de análise, podemos dizer que este foi um ano feliz para Luís Montenegro e para o seu Governo e um ano amargo para a generalidade dos portugueses.
Em termos muito simples, o ano foi benfazejo para o Governo nos planos político, económico e judicial. Para os portugueses foi ano de agravamento de angústias na área da saúde, de desespero no acesso à habitação e sobretudo de deslaçamento social pela banalização do discurso de ódio e pela rutura de padrões de solidariedade na comunidade.
Montenegro ganhou politicamente ao conseguir arrastar o País para umas eleições antecipadas motivadas pela sua fuga ao escrutínio público, desde o gozo com os portugueses sobre a exploração das leiras de Barral, e pela irrequietude de Pedro Nuno Santos que não conseguiu agarrar a viabilização da Comissão de Inquérito sobre as rocambolescas atividades empresariais do primeiro-ministro, abrindo o caminho à lengalenga da vitimização com sucesso eleitoral. Os resultados não foram uma epifania política, como a de Cavaco em 1987, mas transformaram o Governo mais minoritário da democracia numa minoria colocada ao centro da maior maioria de direita de sempre.
Além disso, ganhou as eleições autárquicas, conquistando as 5 maiores autarquias e a ANMP, estabilizou uma governação de arguidos sem custos políticos na Madeira e a convergência com a extrema-direita nos Açores, faltando só, para completar a eficácia máxima de controlo........