Prémio Laranja Amarga para um Governo que é neutro entre a democracia e o populismo

Foram as eleições presidenciais mais participadas do século XXI, só superadas pela dramática reeleição de Eanes em 1980 e pela histórica segunda volta de 1986 entre Mário Soares e Freitas do Amaral. Mas, desta vez, o que está em causa na segunda volta de 8 de fevereiro não é uma escolha entre um candidato de esquerda e um de direita, entre o campo progressista e o campo conservador nem sequer entre apoiantes e opositores do Governo. Pela primeira vez em 50 anos, apresenta-se aos portugueses uma alternativa entre um candidato democrático e um candidato que se assume como alternativa populista aos 50 anos de democracia.

António José Seguro foi o mais votado na primeira volta por mérito próprio e por uma estratégia de resiliência da apresentação da candidatura que suscitou muitas reservas a largos setores do PS e não encantou inicialmente os setores à esquerda que ansiaram por outras candidaturas que nunca surgiram. Fez uma campanha corajosa pela sua coerência e resistência à degradação do debate político. Ao superar os 31% foi muito para além do voto do PS, mobilizando já os eleitores de esquerda mas também chegando a setores de voto jovem e de voto urbano no centro-direita, como é visível nos resultados em Lisboa, Porto ou Cascais, que escaparam à esquerda nas duas últimas eleições legislativas ou nas autárquicas.

André........

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