Prémio Laranja Amarga para a prioridade imoral de um Governo rendido ao populismo

Os Governos definem-se, entre outras marcas, pela imagem que pretendem transmitir com as suas prioridades políticas e legislativas.

O primeiro governo Montenegro, em abril de 2025, filho não assumido de Lucília Gago e de Marcelo Rebelo de Sousa, com uma vantagem de escassos 50 mil votos sobre o PS, não escondeu ao que vinha logo na apresentação do programa de Governo. A prioridade era simular grandes baixas de IRS, distribuir rendimentos pontuais aos pensionistas, serenar com revisões de carreiras os setores mais vocais da função pública e preparar a primeira oportunidade para a devida vitimização provocando eleições, tentando repetir o caminho de Cavaco Silva no século passado.

Pedro Nuno Santos torneou habilmente o isco orçamental com uma inesperada viabilização negociada, mas não resistiu à tentação colocada pelo debate em torno da empresa familiar de Luís Montenegro. As eleições de maio passado provaram amargamente para o PS que, tal como na Madeira ou em Oeiras, as questões éticas estão fora de moda como argumento eleitoral decisivo, mas, no quadro da maior maioria das direitas de sempre, não deram a Montenegro a almejada maioria para “trabalhar”.

No novo quadro parlamentar a prioridade assumida pelo Governo Montenegro 2.0 foi uma descarada convergência ideológica com os temas bandeira da extrema-direita, com a qual tem aprovado toda a agenda legislativa com maior relevância, sem que André Ventura deixe de, pela sua estridência, conseguir acumular os papéis de parceiro de Governo e de líder da oposição.

Daí a prioridade dada às iniciativas legislativas sobre imigração, de acordo com a tríade bradada por Leitão Amaro, Lei dos Estrangeiros/Lei da Nacionalidade/Lei das “Deportações.

As alterações da Lei de Estrangeiros e da Lei da Nacionalidade foram mesmo as primeiras propostas de lei a dar entrada na Assembleia da República, depois........

© Visão