A boca que o Ozempic esquece
Vivemos, sem exagero, uma revolução metabólica. Os fármacos agonistas do GLP-1 — a semaglutida do Ozempic e do Wegovy, a tirzepatida do Mounjaro — mudaram, em poucos anos, a forma como se trata a obesidade e a diabetes tipo 2. Consultórios de todo o País assistem a uma procura sem precedentes por estas substâncias, e os resultados, quando bem acompanhados, são muitas vezes notáveis. Mas há uma pergunta que quase nunca é feita antes de se iniciar este tipo de terapêutica: e a boca, como fica?
Nos consultórios de Medicina Dentária, começa a ganhar contornos um quadro clínico que ainda não tem nome oficial, mas que já reconhecemos com facilidade. Chamam-lhe, informalmente, “boca de Ozempic”. Não é uma doença nova, é antes um conjunto de sinais que se repetem, com uma consistência que já não pode ser atribuída ao acaso.
Um mecanismo simples, uma consequência subestimada
A explicação mais discutida na literatura é, na sua essência, bastante simples. Estes medicamentos reduzem o apetite e retardam o esvaziamento gástrico — é essa, aliás, a razão do seu êxito. Mas........
