É rastejando que ascende aos tetos? Opinião de Diogo Augusto

Há em Portugal uma obsessão com a disciplina na escola. É uma situação um pouco estranha porque, ao mesmo tempo que, aparentemente, já ninguém educa as suas crianças, toda a gente se queixa de que as crianças não têm educação.

O discurso público sobre a escola é frequentemente populado por termos como autoridade, disciplina, exigência, excelência e mérito, mas raramente vai além da proclamação de serem coisas boas sem grande exercício crítico que o suporte.

A ideia é articulada mais ou menos assim: é preciso que os professores tenham autoridade para impôr disciplina e implementar um sistema de alta exigência que identifique a excelência e premeie o mérito. Zás, trás, pás. Fácil, não é?

Vamos por partes. A escola trata todos os alunos por igual. Por exemplo, exige-lhes que cumpram as mesmas regras de comportamento e partilhem o mesmo conjunto de valores. Mas as crianças, quando entram na escola, vêm todas de contexto diferentes, alguns deles onde vigoram regras e valores muito parecidos com os da escola, outros onde não é bem assim.

Peço que sossegue a voz interior que já está a perguntar se por acaso estarei a sugerir que haja regras diferentes para alunos de contexto diferentes. A questão não é essa. A escola pública democrática tem a obrigação de promover um conjunto de valores e regras democráticas, mas não podemos ignorar que a entrada na escola é uma experiência radicalmente diferente para crianças diferentes contextos.

Uns terão de fazer um trabalho árduo de adaptação ao novo meio, às novas figuras de autoridade, às novas rotinas, aos novos horários. Outros terão de fazer isso tudo sem saberem antecipar o que podem e o que não podem fazer ou, pior, a ter de escolher entre as regras e os valores da escola e os muitas vezes contraditórios regras e valores de casa.

Quando pensamos........

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