Comprar pode ser mais barato do que arrendar? A decisão que os jovens precisam de fazer agora |
Nos últimos 20 anos, tem-se verificado uma tendência clara de menor participação dos jovens na aquisição de habitação própria. A percentagem de proprietários entre os 25 e os 34 anos caiu de cerca de 70% no início dos anos 2000 para aproximadamente 40% em 2021, ao mesmo tempo que a idade média de saída da casa dos pais se aproxima dos 29 anos, uma das mais elevadas da União Europeia.
Paradoxalmente, os dados mais recentes do crédito à habitação mostram um novo dinamismo: em 2024, cerca de 44,5% dos novos contratos foram celebrados por jovens até aos 35 anos, refletindo também o impacto das medidas de apoio ao financiamento jovem. Ou seja, apesar de comprarem mais tarde, continuam a querer comprar.
Para perceber o dilema atual, imaginemos um imóvel de 80 m² em Braga. O valor médio de arrendamento ronda os 10,3 €/m², o que representa cerca de 824 € mensais. A nível nacional, a média situa-se perto dos 16,1 €/m², o que mostra que Braga está abaixo da média, mas continua a exigir um esforço significativo para quem inicia vida autónoma.
No mercado de venda, o preço médio em Braga ronda os 1 896 €/m², colocando um imóvel de 80 m² nos 151 680 €. A média nacional situa-se nos 2 065 €/m², confirmando que, fora das áreas metropolitanas, os valores são relativamente mais acessíveis, ainda que elevados para muitos jovens.
A diferença relevante surge quando analisamos o capital inicial necessário. No arrendamento, sendo habitual a exigência de duas rendas de caução e duas adiantadas, o esforço inicial ascende a 3 296 €. Já na compra, recorrendo às medidas de apoio que permitem financiamento até 100% do valor de aquisição, não sendo necessária entrada, os custos centram-se no Imposto do Selo sobre o financiamento, comissões bancárias e despesas notariais, que podem rondar 2 500 €, variando consoante a instituição.
Neste exemplo, o valor necessário para comprar pode ser inferior ao exigido para arrendar.
É verdade que os preços continuam elevados e que encontrar imóveis nestes valores pode não ser simples. Ainda assim, do ponto de vista do capital próprio exigido, a compra deixou de ser automaticamente a opção mais distante para quem está a começar. Arrendar representa um custo mensal sem construção de património; comprar, mesmo que não seja a casa ideal, permite iniciar a criação de um ativo próprio.
Sendo as medidas de apoio temporárias, a decisão ganha urgência. Em determinadas circunstâncias, pode hoje ser financeiramente mais vantajoso comprar do que arrendar, não apenas por uma questão emocional, mas como uma escolha estratégica de início de vida.