O verdadeiro Estado da Nação de um jovem português
Se perguntarmos a um jovem dos 21 aos 35 anos qual é o seu verdadeiro “estado da nação”, a resposta não virá em percentagens ou saldos positivos. Virá sob a forma de um quarto exíguo arrendado aos 30 anos, de um contrato a prazo renovado no limite da legalidade e de um abraço de despedida no aeroporto a mais um amigo brilhante que parte para o estrangeiro. A verdade profunda e incómoda é que, para a juventude, o estado da nação é um estado de suspensão perpétua. A geração mais qualificada, conectada e globalizada da nossa história transformou-se, à força das circunstâncias, na geração mais adiada de sempre.
Fomos criados à sombra de uma promessa clara, um autêntico contrato social que nos foi vendido como inquebrável: estuda, tira um bom curso, domina duas ou três línguas, acumula atividades extracurriculares, sê proativo, e terás garantidamente uma vida melhor, mais próspera e mais estável do que a dos teus pais. Os jovens cumpriram escrupulosamente a sua parte deste acordo. As universidades encheram-se, os currículos enriqueceram-se com mestrados e doutoramentos, mas quando esta geração chegou finalmente às portas do mercado de trabalho, descobriu, com estrondo, que o elevador social estava irremediavelmente avariado no rés-do-chão. O prémio por anos de estudo e sacrifício familiar traduz-se, demasiadas vezes, na crueldade de estágios não remunerados ou mal pagos, numa dependência asfixiante de recibos verdes e em salários de entrada que teimam em não descolar do mínimo nacional. A tão aclamada meritocracia revelou-se uma miragem cruel num mercado onde o esforço individual é frequentemente esmagado pela........
