O ano político mais decisivo da União Europeia
O sistema internacional atravessa um período de transição hegemónica e de profunda reconfiguração estrutural, onde a ordem liberal assente no multilateralismo cedeu lugar a um paradigma marcado pelo regresso do realismo político. Neste novo xadrez global, caraterizado pela competição sistémica e pelo protecionismo nacionalista impulsionado por potências como os Estados Unidos e a China, a Europa depara-se com um dilema existencial crónico. A União Europeia enfrenta a urgência de escolher entre a estagnação, que a confinaria ao estatuto de um museu desprovido de relevância geoestratégica, e a assunção plena de um papel de polo de poder autónomo e competitivo. A geopolítica antiga encontra-se hoje indissociavelmente ligada à geoeconomia e a União Europeia tem de transcender a sua matriz fundacional de mero poder normativo para se afirmar como um ator global capaz de projetar influência e gerar riqueza num ambiente de elevada hostilidade.
A vulnerabilidade europeia ficou manifestamente exposta durante as recentes crises, revelando os perigos da dependência assimétrica face a atores estatais terceiros. A crença de que a........
