Crónica de uma mãe apaixonada – uma história que nasceu em pleno confinamento

“Dizem que nasceu em março, e que com ele trouxe, andorinhas mil e flores no regaço. “ (in Maria Limão)”

Quando soube da tua existência, tive a certeza, dentro de mim, que irias ser alguém extraordinário. Tive a certeza que irias ser alegre, um sol que traria vida e luz às nossas vidas! Não me enganei. Esta é uma carta de amor. Não é um amor qualquer, é inabalável, puro, etéreo, multidimensional. É um hino de celebração de vida.

Uma segunda gravidez depois de um passado de perdas é, sem dúvida, uma gravidez diferente, menos ansiosa, mais vagarosa, mais consciente daqueles momentos, que passam como água pelos dedos. O parto consciente, outrora impossível, foi uma experiência transformadora. Mesmo sendo, também, com contornos que poderiam gerar mais ansiedade e medo, foi tudo menos isso – medo. Uma experiência divina de superação, esperança e sobretudo empoderamento: tu e eu fomos capazes, meu amor. Naquele irreal período de confinamento, época da Covid, eu vivi-te, tu viveste-me, só nós os dois, naqueles primeiros TUDO. Afinal, a ausência de visitas permitiu alguma tranquilidade que de outra forma não seria possível, o prolongamento da chamada bolha, que neste caso foi mais do que uma bolha, foi uma cúpula blindada a medos, angústias, foi uma cúpula de segunda vida a todos os níveis. Depois, a nova realidade de uma família a quatro: nunca me esquecerei do olhar enternecido do mano, do colo seguro e protetor do pai (ainda que parecesse um astronauta naquele tempo). Tempos em que a realidade superou a ficção.

Infelizmente, venho a aperceber-me, que a tendência é mesmo essa – a realidade superar a ficção, e muitas vezes no mau, nas guerras, na violência, na falta de empatia. No entanto, espero deixar ao mundo um ser que nele poderá fazer a diferença, porque tu já a fazes na minha vida e nas dos que te rodeiam. Pelo teu entusiasmo, pela tua alegria, pela tua capacidade de partilhar e empatizar, mesmo tão pequenino. És um ensinamento todos os dias, és perfeito, meu amor!

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.


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