Para que serve o Ministério da Educação?
Pedro Santa Clara colocou recentemente uma pergunta que merece ser levada a sério: para que serve, afinal, um Ministério da Educação? A pergunta surge a propósito da reforma de Fernando Alexandre e da defesa do Phoenix Encounter Method, desenvolvido no INSEAD para a transformação de organizações. A metáfora é conhecida: em vez de procurar melhorar incrementalmente uma organização, imagina-se a sua destruição e, depois, aquilo que deveria renascer das cinzas. Santa Clara considera que a reforma do Ministério da Educação já iniciou esse processo de “destruição criativa” (Para que Serve um Ministério da Educação?, Eco, 25/06/2026).
A pergunta é pertinente. A resposta que lhe dá, porém, não é tecnicamente neutra. É uma resposta fortemente ideológica, que depende da ideia que faz do Estado e da educação.
No meu artigo anterior, A Deloitte e a Implosão do Ministério da Educação (VISÃO, 06/08/2026), procurei chamar a atenção para uma transformação que não pode ser reduzida a uma reforma do organigrama. A redução drástica da administração central, a transferência de funções e a criação de novas estruturas traduzem uma mudança no modo de conceber a administração educativa. O texto de Santa Clara tem, neste contexto, um interesse particular: explicita uma filosofia que, na reforma administrativa, aparece frequentemente sob a linguagem mais consensual de eficiência, simplificação, autonomia e descentralização.
A sua resposta à pergunta é que o Ministério deve fazer muito menos do que faz atualmente. Deve financiar, garantir que ninguém fica excluído, estabelecer algumas regras e........
