A geração protegida demais |
Vivemos um tempo estranho: nunca houve tantas ferramentas para comunicar, tantas palavras para falar de emoções, tanta preocupação com o bem-estar — e, paradoxalmente, nunca se falou tanto de solidão, ansiedade e dificuldade em viver plenamente. Algo não bate certo. Talvez porque confundimos cuidado com controlo, protecção com limitação, e segurança com vida.
Muito se tem escrito sobre a chamada “geração tapete vermelho”: jovens educados para evitar a frustração, para não ouvir “nãos”, para exigir reconhecimento imediato e reagir à crítica como se fosse agressão. Há exagero nessa caricatura — como em todas —, mas ela aponta para um problema real: educámos para o conforto e não para a experiência.
Contudo, a sobreprotecção não é um fenómeno novo nem exclusivo das gerações atuais. Ela sempre existiu, sobretudo quando os pais sentem medo — medo do mundo, do risco, da diferença, da perda. Em nome desse medo, muitas crianças cresceram com o caminho demasiado vigiado, as escolhas demasiado filtradas, as experiências adiadas “para quando for seguro”. O problema é que a vida raramente avisa quando é seguro........